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Quanto custa NÃO instalar energia solar? O número que ninguém calcula

Texto de <strong>Laura Amorim, engenheira eletricista (FEEC/Unicamp)</strong>, com 174 sistemas solares residenciais instalados desde 2018 na região de Campinas e Jundiaí. Os valores do caso João são de referência didática (sistema 2,05 kWp), usados pra ilustrar o método de cálculo — o seu número depende da sua conta e da sua distribuidora. Pra aprender a ler propostas concorrentes sem cair em vend

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R$ 61.209. Esse é o valor que o João vai pagar de conta de luz nos próximos 25 anos se não fizer nada. Não é estimativa pessimista — é a conta dele de hoje, R$ 204,03 por mês, multiplicada por 12 meses e por 25 anos de vida útil de um sistema solar. O número assusta porque ninguém o calcula. A gente olha a conta do mês, resmunga, paga e esquece. Some tudo e a inação revela o preço que ela sempre teve.

A tese deste texto inverte a pergunta que todo mundo faz. A pergunta de sempre é "quanto custa instalar energia solar". A pergunta honesta é "quanto custa NÃO instalar". Porque continuar pagando a concessionária também é uma decisão financeira — só que é uma decisão tomada por omissão, e omissão custa caro quando o horizonte é de 25 anos.

O que "caro" realmente significa

Uma cliente me perguntou uma vez, direto: energia solar é cara? Fui no dicionário antes de responder. "Caro" tem duas definições: preço alto, elevado; e preço que ultrapassa o valor real da coisa. As duas definições importam, e por nenhuma delas a energia solar é cara — desde que você compare contra a referência certa.

O erro é comparar o sistema contra zero ("eu não gastaria nada se não comprasse"). Mas zero não é a sua alternativa real. A sua alternativa real é continuar pagando a conta de luz, com reajuste tarifário acima da inflação todo ano. A referência certa não é R$ 0 — é R$ 61.209. Contra essa referência, um sistema de R$ 9.649 não é caro. É barato de doer.

A conta do João, aberta

Vou abrir os números do João, porque número fechado convence mais que adjetivo. Conta de R$ 204,03 por mês. Para a casa dele, na região de Campinas, um sistema de 2,05 kWp (inversor Growatt + placas de 410 W) resolve o consumo — custo de R$ 9.649, instalação e homologação inclusas, valor de referência de tabela.

Esse sistema não zera a conta — nenhum sistema honesto zera. Sobra a taxa mínima (50 kWh), a iluminação pública e o ICMS, algo como R$ 60 por mês que o João vai pagar de qualquer jeito enquanto estiver ligado na rede. Mas dos R$ 204,03, o solar abate R$ 144,03. Em 12 meses, R$ 1.728. Em 25 anos, R$ 43.209 de economia real.

Agora a divisão que fecha o argumento: R$ 43.209 de economia dividido por R$ 9.649 de investimento dá 4,47. A economia que o João gera ao longo da vida do sistema pagaria quatro sistemas e meio iguais ao dele. Ele paga um. Os outros três e meio são lucro líquido que, sem o solar, iriam inteiros para a concessionária.

Custo de não instalar energia solar versus custo do sistema em 25 anos — caso João Conta de luz do João em 25 anos sem solar: R$ 61.209. Custo do sistema solar de 2,05 kWp: R$ 9.649. Economia gerada pelo sistema em 25 anos: R$ 43.209, equivalente a 4,47 sistemas. O custo da inação — caso João (conta R$ 204/mês) NÃO instalar (25 anos) R$ 61.209 só conta de luz Instalar o sistema R$ 9.649 investimento único economia paga 4,5× Valores de referência 2,05 kWp região de Campinas. A conta tende a subir com reajuste tarifário anual.

Por que a inação também é uma decisão financeira

Tem um detalhe psicológico que sabota o dono de casa: gastar R$ 9.649 de uma vez dói, e pagar R$ 204 por mês não dói — porque já virou paisagem. Mas a matemática não liga pra qual dói mais. Os R$ 204 mensais somam o triplo, o quádruplo, o quíntuplo do investimento ao longo do tempo. A dor parcelada custa mais que a dor concentrada.

E ainda dá pra não concentrar a dor. Pela Calculadora do Cidadão do Banco Central, um financiamento de 72 meses a uma taxa típica deixa a parcela perto do valor que a pessoa já economiza na conta — ou seja, o que ela deixa de pagar à concessionária paga o financiamento. No primeiro ano empata. A partir do segundo, com o reajuste tarifário subindo a conta e a parcela fixa, começa a sobrar. Depois de quitado, são quase 20 anos de energia praticamente de graça.

Não estou dizendo que todo mundo deve instalar amanhã. Estou dizendo que "deixar pra depois" não é neutro. Cada ano de inação tem um preço — e no caso do João, esse preço é a fatia de R$ 61.209 que escorre todo mês pra conta de luz, sem voltar nunca. A pergunta certa nunca foi se a solar é cara. É quanto te custa continuar sem ela.

Quer calcular o SEU número — quanto você vai pagar de conta em 25 anos e quanto o solar abateria?

O ebook Eu, Gerente Solar tem a calculadora de viabilidade que monta esse comparativo com a sua conta de luz real, taxa mínima da sua distribuidora e simulação de financiamento — pra você decidir com número, não com adjetivo.

Eu, Gerente Solar — R$97 (ou 12x R$10,03)

Texto de Laura Amorim, engenheira eletricista (FEEC/Unicamp), com 174 sistemas solares residenciais instalados desde 2018 na região de Campinas e Jundiaí. Os valores do caso João são de referência didática (sistema 2,05 kWp), usados pra ilustrar o método de cálculo — o seu número depende da sua conta e da sua distribuidora. Pra aprender a ler propostas concorrentes sem cair em vendedor, leia também "Como comparar orçamentos de energia solar".

Sobre o autor

Engenheira Eletricista — Fundadora Jugaad Instalações

Engenheira eletricista pela Unicamp com 19 anos de experiência industrial na P&G (manutenção elétrica, IWS, OPL). Fundadora da Marves Jugaad Instalações Elétricas LTDA. Especialista em sistemas fotovoltaicos residenciais com 174+ instalações entregues entre 2024-2026 em Campinas, Jundiaí e região. Autora do ebook 'Eu, Gerente Solar' — método de blindagem do consumidor contra orçamentos inflados, dimensionamento errado e equipamentos inferiores.

  • Engenheira Eletricista (Unicamp)
  • CREA-SP
  • 19 anos manutenção industrial P&G
  • Especialista em sistemas fotovoltaicos residenciais

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