O que é Fio B na energia solar? Definição técnica e cálculo prático
Definição técnica curta de Fio B na energia solar residencial brasileira, com cronograma da Lei 14.300 (15% em 2023 → 100% + TE em 2029), cálculo numérico real e diferença entre Fio A, Fio B e TE.
Principais conclusões
- 01Fio B é o pedágio que a distribuidora cobra sobre energia injetada na rede pelo seu sistema solar — componente da TUSD referente ao uso do fio físico de baixa tensão (o que chega na sua casa).
- 02Criado pela Lei 14.300 (jan/2022, vigência jan/2023). Cronograma de cobrança: 15% (2023) → 30% (2024) → 45% (2025) → 60% (2026, atual) → 75% (2027) → 90% (2028) → 100% + TE (2029).
- 03Não confunda: Fio A remunera rede de ALTA tensão (não muda). Fio B remunera BAIXA tensão (ganhou cobrança progressiva). TE é a Tarifa de Energia (entra em 2029 fechando o ciclo).
- 04Na conta efetiva 2026: casa de R$420 com sistema 4,8 kWp paga ~R$95-105/mês (não taxa mínima R$50 como em 2022). Redução real de 75-77%, não 100%.
- 05Vendedor que insiste que vai 'zerar a conta' em 2026 está usando planilha desatualizada. Em 2029, com 100% + TE, vendedor tem que explicar a fórmula em 30 segundos com cronograma na mão — senão não sabe.
Você confiaria num cardiologista que faz orçamento por WhatsApp em três minutos? Pois é assim que muito vendedor de solar atende cliente que pergunta "o que é Fio B" — joga o termo, não explica, e fecha o orçamento contando que você esqueça. Em 2026 esse "esquecimento" custa caro: o Fio B já come 60% do crédito que você injeta na rede, e a maioria das planilhas de payback ainda usa a fórmula de 2021.
A tese técnica e curta deste post: Fio B é o pedágio que a distribuidora cobra sobre a energia que você injeta na rede pública vinda do seu sistema solar. Tecnicamente é uma parcela da TUSD (Tarifa de Uso do Sistema de Distribuição) referente ao fio físico de baixa tensão. Foi criado pela Lei 14.300 (jan/2022, vigência jan/2023) e cresce de 15% em 2023 até 100% mais TE (Tarifa de Energia) em 2029. Quem entende a fórmula entende o payback; quem não entende confia em vendedor que ainda fala como em 2021.
Definição técnica em uma frase
Fio B é o componente da TUSD que remunera o uso da rede de baixa tensão da distribuidora — os fios que chegam até o seu poste de entrada. Quando seu sistema solar gera mais do que sua casa consome no momento, o excedente é injetado na rede da distribuidora (CPFL Paulista, Enel SP, Light, etc.) e vira "crédito" que volta pra você de noite ou em dias nublados. A Lei 14.300 estabeleceu que esse uso da rede pra "armazenar" seu crédito não é mais gratuito: você paga uma porcentagem do Fio B sobre cada kWh injetado. Não confunda com a TE (Tarifa de Energia), que remunera a energia em si — essa entra só a partir de 2029.
Cronograma de cobrança (memorize esses números)
Os percentuais do Fio B cobrados sobre energia injetada, ano a ano, definidos pela Lei 14.300:
Como o Fio B aparece na sua conta — exemplo numérico
Casa em Jundiaí, sistema 4,8 kWp da Jugaad, conta original R$420. Distribuidora CPFL Paulista. Painéis injetam em média 350 kWh/mês na rede (excedente sobre o consumo simultâneo).
Antes da Lei 14.300 (pré-2023): esses 350 kWh injetados viravam crédito 1:1. A casa pagaria taxa mínima de disponibilidade (cerca de R$50 trifásico) — fim. Em 2026, com Fio B em 60%: o Fio B cobrado sobre os 350 kWh equivale a algo entre R$40 e R$55 dependendo da tarifa CPFL daquela época. A conta efetiva passa de R$50 pra cerca de R$95-105. Continua sendo redução de 75-77% comparado aos R$420 originais. O ponto importante: a "taxa mínima" não é mais o piso real — você paga taxa mínima mais o Fio B sobre o que injetou. Vendedor que insiste que vai "zerar a conta" em 2026 está mentindo ou usando planilha desatualizada.
Fio B vs Fio A vs TE — não confunda
A TUSD da sua conta de luz tem vários componentes. O Fio A remunera a rede de alta tensão (entre subestações) e não muda com a Lei 14.300 — continua sendo cobrado normalmente. O Fio B é o de baixa tensão que chega na sua casa, e é o componente que ganhou cobrança progressiva sobre a energia injetada. A TE (Tarifa de Energia) é a parte que remunera a energia em si (geração) — essa entra na cobrança sobre energia injetada só a partir de 2029, fechando o ciclo completo da nova regra. Quando vendedor diz só "Fio B", ele tá falando do componente de transição. Em 2029, o que entra em vigor é "100% Fio B + TE" — basicamente cobrança plena do uso da rede.
Resumo prático que cabe no bolso: em 2026 você paga 60% do Fio B sobre cada kWh que injeta na rede. Esse percentual vira o reajuste do seu payback. Vendedor que não consegue te explicar a fórmula em 30 segundos, com o cronograma na mão, está te tratando como ticket — não como decisão de R$20 mil.
Sou Laura Amorim, engenheira eletricista (FEEC/Unicamp), e na Jugaad Instalações entreguei 174 sistemas solares em Campinas e Jundiaí desde 2018. Acompanhei a transição da Resolução 482 pra Lei 14.300 nas contas dos 174 clientes — diferença entre quem ficou no direito adquirido até 2045 e quem entrou no novo regime é exatamente o Fio B aparecendo todo mês. Pra entender a Lei 14.300 inteira, escrevi o post completo em Lei 14.300 explicada. O Eu, Gerente Solar tem a calculadora completa pra rodar o cenário da sua conta.
Perguntas frequentes
O que é Fio B na energia solar?
Quanto é o Fio B em 2026?
Qual a diferença entre Fio A, Fio B e TE?
Quando o Fio B chega a 100%?
O Fio B acaba com o solar residencial?
Sobre o autor
Engenheira Eletricista — Fundadora Jugaad Instalações
Engenheira eletricista pela Unicamp com 19 anos de experiência industrial na P&G (manutenção elétrica, IWS, OPL). Fundadora da Marves Jugaad Instalações Elétricas LTDA. Especialista em sistemas fotovoltaicos residenciais com 174+ instalações entregues entre 2024-2026 em Campinas, Jundiaí e região. Autora do ebook 'Eu, Gerente Solar' — método de blindagem do consumidor contra orçamentos inflados, dimensionamento errado e equipamentos inferiores.
- Engenheira Eletricista (Unicamp)
- CREA-SP
- 19 anos manutenção industrial P&G
- Especialista em sistemas fotovoltaicos residenciais