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Energia solar pode ser compartilhada entre duas casas? Sim — e quase ninguém sabe

Texto de <strong>Laura Amorim, engenheira eletricista (FEEC/Unicamp)</strong>, 174 sistemas solares residenciais instalados desde 2018 na região de Campinas e Jundiaí. As regras de geração compartilhada e o nome do formulário (anexo G) seguem o padrão da CPFL — confirme a nomenclatura e os limites com a sua concessionária, porque cada uma tem variações. Pra entender por que vale a pena instalar mes

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Você consegue instalar energia solar na casa da sua mãe, em uma cidade, e usar essa energia pra abater a conta do seu apartamento, em outra? A resposta surpreende quase todo mundo: sim, consegue. Chama-se geração compartilhada, existe há anos, está prevista nas regras da ANEEL, e mesmo assim a maioria dos donos de casa nunca ouviu falar. O vendedor médio também não conta — porque é mais trabalho de papelada pra ele.

A tese aqui é simples e libertadora: você não precisa gerar a energia no mesmo lugar onde consome. Desde que seja o mesmo CPF e a mesma concessionária, a energia produzida num imóvel pode abater a conta de outro. Isso muda o jogo pra quem mora de aluguel, mora em apartamento, ou tem um telhado ruim mas um parente com telhado bom.

A pergunta que parece impossível (mas não é)

O caso clássico é o de quem mora em apartamento. Apartamento raramente tem telhado próprio pra instalar placa — a laje é da área comum do condomínio. Então o morador conclui, frustrado, que energia solar "não é pra ele". Errado. Se essa pessoa tem uma casa de família em outra cidade — ou está construindo uma — ela pode instalar o sistema lá e mandar a energia abater a conta do apartamento.

Parece mágica, mas é contabilidade. A concessionária não transporta fisicamente os seus elétrons de uma cidade pra outra. Ela faz um acerto de contas: registra quanta energia o seu sistema injetou na rede e credita esse valor na fatura do outro imóvel que você indicou. O nome técnico do mecanismo é geração compartilhada (ou autoconsumo remoto), e o documento que destrava é o anexo G — pelo menos é assim que a CPFL chama o formulário.

As duas regras que destravam tudo

Antes de sonhar, duas regras inegociáveis. A primeira: tem que ser o mesmo CPF nas duas contas de luz. A conta do imóvel que gera e a conta do imóvel que recebe o crédito precisam estar no nome da mesma pessoa. No exemplo do apartamento e da casa da mãe, isso funciona se ambas as contas estiverem no seu nome — por exemplo, porque você já paga a conta da sua mãe.

A segunda: tem que ser a mesma concessionária. E aqui mora uma pegadinha que pega muita gente em São Paulo. "CPFL" não é uma coisa só — existe CPFL Paulista e CPFL Piratininga, áreas de concessão diferentes. Se um imóvel é atendido pela Paulista e o outro pela Piratininga, o compartilhamento não rola, mesmo sendo o mesmo CPF e o mesmo grupo CPFL. Confira a concessionária exata na fatura dos dois imóveis antes de qualquer projeto.

Como funciona a geração compartilhada de energia solar entre dois imóveis do mesmo titular Sistema solar gera 100 kWh na casa que tem telhado. Consumo instantâneo de 10 kWh é usado ali. O excedente de 90 kWh é registrado pelo relógio bidirecional e repartido conforme o anexo G entre os dois imóveis do mesmo CPF na mesma concessionária. Geração compartilhada na prática Casa que gera 100 kWh −10 consumo na hora relógio → 90 kWh → anexo G reparte casa geradora prioridade apartamento (outro imóvel) recebe o excedente do crédito Regras: mesmo CPF + mesma concessionária (atenção: CPFL Paulista ≠ Piratininga) A fonte geradora é zerada até a taxa mínima ANTES de repartir o restante.

Como a energia é repartida na prática

Vamos aos números pra não ficar no abstrato. Suponha que o sistema na casa geradora produza 100 kWh num mês. Parte é consumida na hora, ali mesmo — digamos 10 kWh, a geladeira rodando enquanto o sol bate. Esses 10 não passam pelo relógio. Sobram 90 kWh de excedente, e é esse número que o relógio bidirecional registra e que o anexo G vai repartir.

No anexo G você declara a porcentagem que vai pra cada imóvel. Pode dizer, por exemplo, 10% pra casa geradora e 90% pro apartamento — aí 9 kWh ficam na casa e 81 kWh viram crédito no apartamento. As porcentagens são suas, dentro das regras da concessionária, mas valem sobre os 90 kWh registrados, não sobre os 100 produzidos. Confundir os dois números é a fonte número um de frustração de quem usa geração compartilhada.

A pegadinha da prioridade da fonte geradora

Tem um detalhe que precisa estar martelado na cabeça antes de instalar: a prioridade é sempre da fonte geradora. Primeiro o sistema zera a conta do imóvel que gera — leva ela até a taxa mínima. Só o que sobra depois disso é que se reparte com o outro imóvel.

Na prática isso significa: se a casa que gera tiver um consumo alto num determinado mês, pode não sobrar nada pra mandar pro apartamento. O crédito compartilhado é o excedente real, não uma promessa fixa. Por isso o dimensionamento do sistema tem que considerar o consumo dos dois imóveis somados — senão você instala achando que vai abater duas contas e descobre que mal cobre uma. É exatamente o tipo de cálculo que separa o projeto bem feito do orçamento jogado no telhado às pressas. Geração compartilhada é uma ferramenta poderosa pra quem mora de aluguel ou em apartamento — desde que você entre sabendo a ordem em que a conta é feita.

Mora em apartamento ou de aluguel e quer entender se a geração compartilhada serve pra você?

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Texto de Laura Amorim, engenheira eletricista (FEEC/Unicamp), 174 sistemas solares residenciais instalados desde 2018 na região de Campinas e Jundiaí. As regras de geração compartilhada e o nome do formulário (anexo G) seguem o padrão da CPFL — confirme a nomenclatura e os limites com a sua concessionária, porque cada uma tem variações. Pra entender por que vale a pena instalar mesmo com conta baixa, leia também "Quanto custa não instalar energia solar".

Sobre o autor

Engenheira Eletricista — Fundadora Jugaad Instalações

Engenheira eletricista pela Unicamp com 19 anos de experiência industrial na P&G (manutenção elétrica, IWS, OPL). Fundadora da Marves Jugaad Instalações Elétricas LTDA. Especialista em sistemas fotovoltaicos residenciais com 174+ instalações entregues entre 2024-2026 em Campinas, Jundiaí e região. Autora do ebook 'Eu, Gerente Solar' — método de blindagem do consumidor contra orçamentos inflados, dimensionamento errado e equipamentos inferiores.

  • Engenheira Eletricista (Unicamp)
  • CREA-SP
  • 19 anos manutenção industrial P&G
  • Especialista em sistemas fotovoltaicos residenciais

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