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Como planejar energia solar em construção (e o drama de não ter conta de luz)

Planejar energia solar durante a construção resolve de graça três coisas que na casa pronta viram quebra-parede: o eletroduto, o espaço no quadro elétrico e a bitola do cabo de entrada. E quem não tem conta de luz ainda dimensiona o sistema somando a potência dos aparelhos — não é impeditivo, é só uma conta diferente.

Por Publicado em 5 min de leitura

Atendi um cliente que estava com a casa em obra e a mão na cabeça. Ele tinha contratado o arquiteto, a casa ia ser entregue pronta, e no meio do caminho caiu a ficha: queria energia solar, mas não sabia onde encaixar isso. Onde passa o eletroduto? Cabe no quadro elétrico? E o pior — ele estava nervoso por um motivo específico: "Laura, eu não tenho conta de luz, é casa nova, como é que eu dimensiono o sistema sem saber meu consumo?".

Esse drama tem solução simples, e é a tese deste texto: quem planeja a solar durante a obra resolve de graça três coisas que, na casa pronta, viram quebra-parede e custo extra. E a falta de conta de luz não é impeditivo — é só uma conta diferente. Vou abrir as duas partes.

O drama de não ter conta de luz — e como resolver

Quem já mora na casa há um tempo tem vida fácil: olha a conta de luz, vê o histórico de consumo, e dimensiona a solar em cima de um número real. Quem está construindo não tem esse número. Mas dá pra estimar somando a potência dos aparelhos que vão entrar na casa, com quantas horas por dia cada um roda.

Num exemplo que fiz com meus alunos, a casa projetada dava uns 344 kWh por mês. E tem uma sacada aí: o chuveiro elétrico pesa muito nessa conta — só ele puxava uns 88 kWh por mês. Se a casa nova já vai ter aquecimento solar de água ou chuveiro a gás, esse pedaço sai da conta e o sistema fotovoltaico fica menor e mais barato. Essa lista de aparelhos é a chave do projeto quando não existe fatura pra consultar.

Os três itens de energia solar para prever durante a obra da casa Durante a construção, três itens devem ser previstos para a energia solar: o eletroduto que leva os cabos do telhado ao quadro, o espaço reservado no quadro elétrico para os disjuntores do sistema, e a bitola correta do cabo de entrada da rede. Prever na obra evita quebrar parede depois. 3 itens pra prever na obra (de graça agora, caro depois) 1. eletroduto do telhado ao quadro elétrico 2. espaço no quadro disjuntores do sistema solar 3. bitola do cabo entrada poste → quadro (cobre)

Os três itens que custam zero agora e caro depois

Aqui está a vantagem real de pensar na solar com a casa ainda aberta. Na obra, três coisas se resolvem passando um cano e reservando espaço. Na casa pronta, as mesmas três viram parede quebrada, gesso refeito e pintura.

A primeira é o eletroduto — o caminho por onde os cabos descem do telhado até o quadro. Previsto na planta, é um cano embutido. Esquecido, é canaleta aparente subindo pela parede. A segunda é o espaço no quadro elétrico pros disjuntores do sistema solar; quadro apertado depois obriga a trocar o quadro inteiro. A terceira é a bitola do cabo que sai do poste e vai pro quadro da casa: a solar muda a corrente que passa ali, e cabo de cobre é caro — subir de 16 pra 25 ou 35 mm² depois da obra é dinheiro jogado fora. Prever na hora certa é só uma linha a mais no projeto elétrico.

O telhado também entra no planejamento

Um detalhe que pouca gente liga na fase de projeto: o tipo de telha muda a estrutura de fixação — e o custo. Fibrocimento, cerâmica colonial e metálica usam ganchos e suportes diferentes. A colonial, por exemplo, costuma sair mais cara de fixar. Quem está escolhendo a telha da casa nova pode, sabendo disso, equilibrar estética e custo de instalação solar antes de fechar a obra. Esse cuidado conversa direto com tudo que eu detalho sobre como preparar o telhado para energia solar.

E não precisa instalar agora. Mesmo que a solar venha só depois da mudança, vale deixar tudo previsto e começar a registrar o consumo assim que a casa estiver de pé — anotar a conta de luz dos primeiros meses dá o número real pra fechar o dimensionamento. Quem planeja desde a obra também entra na conta de retorno mais cedo, e o tempo até o sistema se pagar está aberto no post sobre o que é payback na energia solar.

Volta pro cliente nervoso do começo. O problema dele nunca foi a falta de conta de luz — isso se resolve com uma lista de aparelhos. O risco real era terminar a casa e descobrir que esqueceu o cano, o espaço no quadro e o cabo certo. Planejar a solar na obra não adianta a instalação; adianta a economia de não ter que quebrar nada depois.

No ebook Eu, Gerente Solar tem o passo a passo de dimensionar pela lista de aparelhos, o que pedir ao seu engenheiro civil pra deixar previsto na planta, e como escolher a telha pensando na solar — pra você gerenciar a obra sem depender só do que o vendedor disser.

Eu, Gerente Solar — R$97 (ou 12x R$10,03)

Texto de Laura Amorim, engenheira eletricista (FEEC/Unicamp), 174 sistemas solares residenciais instalados desde 2018 na região de Campinas e Jundiaí. Atendo clientes em obra com frequência — e a conta de "prever agora" sempre fecha melhor que a de "quebrar depois".

Sobre o autor

Engenheira Eletricista — Fundadora Jugaad Instalações

Engenheira eletricista pela Unicamp com 19 anos de experiência industrial na P&G (manutenção elétrica, IWS, OPL). Fundadora da Marves Jugaad Instalações Elétricas LTDA. Especialista em sistemas fotovoltaicos residenciais com 174+ instalações entregues entre 2024-2026 em Campinas, Jundiaí e região. Autora do ebook 'Eu, Gerente Solar' — método de blindagem do consumidor contra orçamentos inflados, dimensionamento errado e equipamentos inferiores.

  • Engenheira Eletricista (Unicamp)
  • CREA-SP
  • 19 anos manutenção industrial P&G
  • Especialista em sistemas fotovoltaicos residenciais

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