Como planejar energia solar em construção (e o drama de não ter conta de luz)
Planejar energia solar durante a construção resolve de graça três coisas que na casa pronta viram quebra-parede: o eletroduto, o espaço no quadro elétrico e a bitola do cabo de entrada. E quem não tem conta de luz ainda dimensiona o sistema somando a potência dos aparelhos — não é impeditivo, é só uma conta diferente.
Atendi um cliente que estava com a casa em obra e a mão na cabeça. Ele tinha contratado o arquiteto, a casa ia ser entregue pronta, e no meio do caminho caiu a ficha: queria energia solar, mas não sabia onde encaixar isso. Onde passa o eletroduto? Cabe no quadro elétrico? E o pior — ele estava nervoso por um motivo específico: "Laura, eu não tenho conta de luz, é casa nova, como é que eu dimensiono o sistema sem saber meu consumo?".
Esse drama tem solução simples, e é a tese deste texto: quem planeja a solar durante a obra resolve de graça três coisas que, na casa pronta, viram quebra-parede e custo extra. E a falta de conta de luz não é impeditivo — é só uma conta diferente. Vou abrir as duas partes.
O drama de não ter conta de luz — e como resolver
Quem já mora na casa há um tempo tem vida fácil: olha a conta de luz, vê o histórico de consumo, e dimensiona a solar em cima de um número real. Quem está construindo não tem esse número. Mas dá pra estimar somando a potência dos aparelhos que vão entrar na casa, com quantas horas por dia cada um roda.
Num exemplo que fiz com meus alunos, a casa projetada dava uns 344 kWh por mês. E tem uma sacada aí: o chuveiro elétrico pesa muito nessa conta — só ele puxava uns 88 kWh por mês. Se a casa nova já vai ter aquecimento solar de água ou chuveiro a gás, esse pedaço sai da conta e o sistema fotovoltaico fica menor e mais barato. Essa lista de aparelhos é a chave do projeto quando não existe fatura pra consultar.
Os três itens que custam zero agora e caro depois
Aqui está a vantagem real de pensar na solar com a casa ainda aberta. Na obra, três coisas se resolvem passando um cano e reservando espaço. Na casa pronta, as mesmas três viram parede quebrada, gesso refeito e pintura.
A primeira é o eletroduto — o caminho por onde os cabos descem do telhado até o quadro. Previsto na planta, é um cano embutido. Esquecido, é canaleta aparente subindo pela parede. A segunda é o espaço no quadro elétrico pros disjuntores do sistema solar; quadro apertado depois obriga a trocar o quadro inteiro. A terceira é a bitola do cabo que sai do poste e vai pro quadro da casa: a solar muda a corrente que passa ali, e cabo de cobre é caro — subir de 16 pra 25 ou 35 mm² depois da obra é dinheiro jogado fora. Prever na hora certa é só uma linha a mais no projeto elétrico.
O telhado também entra no planejamento
Um detalhe que pouca gente liga na fase de projeto: o tipo de telha muda a estrutura de fixação — e o custo. Fibrocimento, cerâmica colonial e metálica usam ganchos e suportes diferentes. A colonial, por exemplo, costuma sair mais cara de fixar. Quem está escolhendo a telha da casa nova pode, sabendo disso, equilibrar estética e custo de instalação solar antes de fechar a obra. Esse cuidado conversa direto com tudo que eu detalho sobre como preparar o telhado para energia solar.
E não precisa instalar agora. Mesmo que a solar venha só depois da mudança, vale deixar tudo previsto e começar a registrar o consumo assim que a casa estiver de pé — anotar a conta de luz dos primeiros meses dá o número real pra fechar o dimensionamento. Quem planeja desde a obra também entra na conta de retorno mais cedo, e o tempo até o sistema se pagar está aberto no post sobre o que é payback na energia solar.
Volta pro cliente nervoso do começo. O problema dele nunca foi a falta de conta de luz — isso se resolve com uma lista de aparelhos. O risco real era terminar a casa e descobrir que esqueceu o cano, o espaço no quadro e o cabo certo. Planejar a solar na obra não adianta a instalação; adianta a economia de não ter que quebrar nada depois.
No ebook Eu, Gerente Solar tem o passo a passo de dimensionar pela lista de aparelhos, o que pedir ao seu engenheiro civil pra deixar previsto na planta, e como escolher a telha pensando na solar — pra você gerenciar a obra sem depender só do que o vendedor disser.
Eu, Gerente Solar — R$97 (ou 12x R$10,03)Texto de Laura Amorim, engenheira eletricista (FEEC/Unicamp), 174 sistemas solares residenciais instalados desde 2018 na região de Campinas e Jundiaí. Atendo clientes em obra com frequência — e a conta de "prever agora" sempre fecha melhor que a de "quebrar depois".
Sobre o autor
Engenheira Eletricista — Fundadora Jugaad Instalações
Engenheira eletricista pela Unicamp com 19 anos de experiência industrial na P&G (manutenção elétrica, IWS, OPL). Fundadora da Marves Jugaad Instalações Elétricas LTDA. Especialista em sistemas fotovoltaicos residenciais com 174+ instalações entregues entre 2024-2026 em Campinas, Jundiaí e região. Autora do ebook 'Eu, Gerente Solar' — método de blindagem do consumidor contra orçamentos inflados, dimensionamento errado e equipamentos inferiores.
- Engenheira Eletricista (Unicamp)
- CREA-SP
- 19 anos manutenção industrial P&G
- Especialista em sistemas fotovoltaicos residenciais